Esquecimentos do dia a dia: quando investigar?

Demorar para lembrar um nome ou esquecer onde deixou os óculos ou as chaves pode acontecer com qualquer pessoa. Mas quando os esquecimentos se tornam frequentes, podem merecer uma avaliação mais cuidadosa.


Dra. Aline Saab é médica há quase vinte anos, especializada em Clínica Médica e Geriatria pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (IAMSPE), onde se especializou entre 2007 e 2011. Possui formação em Acupuntura pelo Instituto de Clínicas da USP (2010–2012). Durante dez anos foi preceptora da residência Geriatria do IAMSPE.

Esquecer onde colocou os óculos, entrar em um cômodo e não lembrar exatamente o que ia fazer ou demorar mais para lembrar o nome de alguém. Situações como essas fazem parte do cotidiano de muitas pessoas e, com o passar dos anos, podem se tornar mais frequentes. Mas até que ponto isso é normal? E quando os esquecimentos começam a merecer mais atenção?
Sou Dra. Aline Saab, médica especializada no cuidado da pessoa idosa. Meu trabalho é acompanhar pacientes ao longo do processo de envelhecimento, ajudando a prevenir doenças, tratar condições já existentes e, principalmente, preservar aquilo que mais valorizamos ao longo da vida: autonomia, independência e qualidade de vida. No consultório, uma das perguntas mais comuns que escuto é justamente esta: “Doutora, isso é apenas esquecimento da idade ou pode ser algo mais sério?”

Nem todo esquecimento significa doença
Nosso cérebro também passa por mudanças naturais ao longo da vida, assim como acontece com o restante do corpo. Com o passar dos anos, é comum que o processamento das informações fique um pouco mais lento e que a memória exija mais atenção e organização.
Por isso, situações como demorar um pouco mais para lembrar uma palavra, esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou precisar anotar compromissos para não esquecer podem fazer parte do envelhecimento normal. Isso acontece porque a forma como o cérebro armazena e recupera informações muda com o tempo. Muitas vezes a informação está lá, mas leva um tempo maior para ser recuperada.Esse tipo de esquecimento, quando é eventual e não interfere na rotina, costuma ser considerado parte do processo natural de envelhecimento.

Quando os esquecimentos começam a preocupar
Em algumas situações, porém, os esquecimentos passam a interferir no dia a dia. A pessoa pode começar a repetir muitas vezes a mesma pergunta, esquecer informações recentes com frequência, perder-se em lugares conhecidos ou apresentar dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples, como organizar contas, repassar informações ou lidar com atividades do cotidiano. Quando isso acontece, é importante investigar!
Existem diversas causas possíveis para alterações de memória. Algumas delas são reversíveis, como deficiência de vitaminas, alterações da tireoide, distúrbios do sono, ansiedade, depressão, efeitos de medicamentos ou períodos prolongados de estresse. Em outras situações, os esquecimentos podem estar relacionados ao Comprometimento Cognitivo Leve, uma condição em que há alterações cognitivas maiores do que o esperado para a idade, mas sem perda significativa da funcionalidade. Também podem estar associados a doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.
Por isso, diante de mudanças na memória, a melhor atitude não é ignorar os sinais – mas também não é entrar em pânico. Uma avaliação adequada permite compreender melhor o que está acontecendo e orientar os próximos passos.

O que ajuda a proteger a saúde do cérebro
Durante a avaliação da memória, não analisamos apenas a capacidade de lembrar informações. Também observamos outros aspectos importantes do funcionamento cerebral, como atenção, linguagem, raciocínio e organização das atividades do dia a dia. Além disso, avaliamos a saúde de forma global, incluindo hábitos de vida, qualidade do sono, alimentação, controle do estresse, atividade física e doenças associadas.
É importante lembrar que a saúde do cérebro não depende apenas de genética ou sorte. Existem vários fatores que ajudam a proteger a memória ao longo da vida.Manter o cérebro ativo, cultivar relações sociais, praticar atividade física regularmente, dormir bem e controlar doenças como pressão alta, diabetes e colesterol são atitudes que fazem diferença real na saúde cognitiva.
Quanto mais cedo identificamos possíveis alterações, maiores são as chances de orientar o tratamento, ajustar hábitos e preservar a autonomia por mais tempo.

Sinais de alerta para a memória
– Repetir frequentemente a mesma pergunta ou a mesma história
– Esquecer informações recentes repetidamente
– Ter dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples
– Perder-se em lugares conhecidos
– Apresentar dificuldade para organizar atividades do dia a dia
– Familiares ou amigos perceberem mudanças no comportamento e memória

Na presença desses sinais, uma avaliação médica é fundamental para entender melhor o que está acontecendo e orientar os próximos passos. Cuidar da memória é parte fundamental de um envelhecimento saudável – e, quando surgem dúvidas, buscar avaliação especializada é sempre o melhor caminho.”

Mais Informações:
Dra. Aline Saab – CRM 124030
Endereço: Av. Santa Rita, 203 – Jardim Armênia – Mogi das Cruzes/SP
WhatsApp (11) 91402.9973
Instagram @dra.alinesaab
Site: www.draalinesaab.com.br

Edição 246

Clique na capa para ler a revista

O que deseja pesquisar?