Mogi das Cruzes aos 466 anos sob o olhar de quem viveu e vive a nossa cidade


Como deputado federal , defendeu a micro e pequena empresa no Congresso Nacional

Ao revisitar suas memórias, sonhos e vivências, Bertaiolli percorre ruas, bairros, transformações e personagens que ajudaram a construir a identidade mogiana. A narrativa acompanha não apenas o crescimento da cidade, mas também o amadurecimento de sua própria trajetória, sempre ligada a Mogi das Cruzes.
Esse é o olhar de quem nasceu na Maternidade Mãe Pobre e construiu sua vida pública ao lado da cidade. Passou por todos os cargos eletivos: foi vereador por duas vezes, vice-prefeito, deputado estadual, prefeito por dois mandatos, deputado federal eleito e reeleito e, hoje, ocupa o cargo de conselheiro-corregedor do TCE-SP, para o qual foi indicado pelo governador Tarcísio de Freitas e pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
As responsabilidades exercidas ao longo dessa caminhada ampliaram sua experiência administrativa e política, fortaleceram seu compromisso com Mogi das Cruzes e com o Estado de São Paulo e lhe deram uma visão ampla da gestão pública. Ainda assim, a cidade permanece como referência afetiva e pessoal. Seu relato revela um olhar amadurecido pelo tempo, pela gestão pública e pela convivência direta com as necessidades da população. Mais do que recordar o passado, ele reflete sobre os avanços de Mogi, seus desafios e o futuro que continua inspirando novas gerações.

Há também uma dimensão profundamente humana nesta entrevista. Bertaiolli fala como quem continua vivendo a cidade todos os dias. Hoje, como marido da prefeita Mara Bertaiolli, acompanha de perto o cuidado diário com Mogi das Cruzes e com as pessoas. É um olhar que une experiência pública, história de vida e afeto, traduzindo uma relação íntima, permanente e duradoura com a cidade construída ao longo de décadas.
Mesmo ocupando atualmente um dos mais importantes cargos do Tribunal de Contas paulista, percorrendo o Estado e acompanhando a realidade de centenas de municípios, Marco Bertaiolli preserva em Mogi suas raízes, sua família, suas lembranças e seu senso de pertencimento. Fala da cidade não como observador distante, mas como alguém que cresceu em suas ruas, formou sua vida aqui e continua vendo em Mogi das Cruzes parte essencial de sua própria história. Neste aniversário de 466 anos, Mogi das Cruzes é contada não apenas pelos fatos de sua história, mas pela emoção de quem acreditou em seu futuro desde menino, dedicou a vida ao serviço público e continua carregando a cidade no coração.

Revista Opinião – Faz 30 anos da sua primeira eleição para vereador, em 1996. O que mudou em Mogi das Cruzes nessas três décadas?
Marco Bertaiolli –
Mudou muita coisa, quase tudo. Para se ter uma ideia, em 1996 a eleição ainda era feita com cédula de papel. Mogi tinha pouco mais de 300 mil habitantes; hoje já ultrapassa os 500 mil. O crescimento da cidade nas últimas décadas foi imenso em todas as áreas. Mogi enfrenta o desafio de crescer sem inchar, de se desenvolver mantendo a qualidade de vida e preservando aquilo que sempre marcou sua identidade: ser uma cidade acolhedora, humana e próxima das pessoas.

Revista Opinião – E como isso é possível?
Bertaiolli –
É possível com uma administração séria, planejada e que não pense apenas no presente. Uma gestão que governa olhando somente para os seus quatro anos corre o risco de comprometer o futuro de uma cidade por décadas. Basta observar o que aconteceu nos últimos anos com o trânsito em Mogi. Isso é reflexo de um crescimento imobiliário desordenado, sem o planejamento necessário, e que hoje impacta várias áreas, especialmente a mobilidade urbana.
Temos um anel viário cujo planejamento começou na década de 1960 e o último grande investimento ocorreu nos anos 1980. Agora, essa gestão concluiu o trecho Nordeste, entre Cezar de Souza e Rodeio, e já garantiu recursos para a ligação entre a Mogi-Bertioga e a Mogi-Salesópolis, praticamente completando a via perimetral. Isso é pensar no futuro.
Da mesma forma, a inauguração da primeira Maternidade Municipal e Hospital da Mulher e da Criança representa um marco histórico para as mães mogianas que passaram a contar com uma unidade hospitalar de excelência, qualidade e segurança num momento tão especial da vida. Tudo isso se soma ao planejamento de uma rede de saúde estruturada, com investimentos que vão da atenção básica à urgência e emergência. Investimentos na educação, no período integral, revitalização e urbanização de bairros, cuidado com o meio ambiente e com o saneamento básico que vão transformar Mogi das Cruzes numa cidade que terá, muito em breve, 100% do esgoto coletado e tratado e deixará de ser uma poluidora do Rio Tietê.


Como prefeito, inaugurando a UNICA Jundiapeba, em Mogi das Cruzes

Revista Opinião – O senhor fala com muita naturalidade sobre a administração municipal. Ao mesmo tempo, hoje ocupa um cargo no Tribunal de Contas, percorre o Estado inteiro, analisa contas de 644 municípios — exceto Mogi das Cruzes, da qual se declarou impedido por questão ética — e também do Governo do Estado. Que comparação faz entre tantas administrações?
Bertaiolli –
Mogi das Cruzes tem distritos, como Jundiapeba e Braz Cubas, maiores do que muitas cidades brasileiras. Uma cidade do porte e da importância de Mogi das Cruzes precisa de planejamento, transparência, credibilidade, segurança financeira e previsibilidade jurídica. Sem isso, corre o risco de perder competitividade.
Nenhum investidor, nenhuma grande instituição, nem mesmo o Estado ou a União direcionam investimentos consistentes para uma cidade cuja administração não transmita seriedade. Em 2015, o Tribunal de Contas criou o IEG-M – Índice de Efetividade da Gestão Municipal -, hoje utilizado em todo o país para avaliar a qualidade dos gastos públicos e das políticas municipais nas áreas de saúde, educação, planejamento, gestão fiscal, meio ambiente e governança em tecnologia da informação. É uma forma eficaz de avaliar as políticas públicas dos municípios paulistas.

Revista Opinião – E como isso impacta a vida das pessoas?
Bertaiolli –
Impacta em tudo. Nenhuma gestão consegue fazer tudo sozinha. É preciso construir parcerias, atrair investimentos e buscar recursos. Mogi das Cruzes é uma cidade em permanente movimento: todos os dias nascem crianças, famílias escolhem viver aqui, empresas se instalam e oportunidades surgem. Uma cidade assim precisa ser amada, cuidada e planejada continuamente. Vejo na prefeita Mara Bertaiolli exatamente o amor por Mogi aliado à força política que tem conquistado muitos investimentos para a nossa cidade. Já são mais de R$ 1 bilhão nestes apenas 19 meses de gestão.

Revista Opinião – O senhor criou um termo muito associado à cidade: “mogianidade”. O que isso significou – e ainda significa?
Bertaiolli –
Mogianidade é o amor por Mogi transformado em responsabilidade. Significa que não podemos colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz enquanto houver um único mogiano enfrentando dificuldades ou sem acesso digno aos serviços públicos. Amar Mogi é trabalhar por ela todos os dias, independentemente da função que exerça. Sou um servidor público, seja qual for o cargo ou lugar onde estiver.
Hoje, no Tribunal de Contas, consigo perceber claramente como esse sentimento faz diferença entre as cidades. Onde os gestores têm compromisso verdadeiro com a população, os resultados são duradouros, perenes. Eles ultrapassam mandatos e transformam a vida das pessoas.

Revista Opinião – Ao deixar a Prefeitura, em 2016, o senhor tinha mais de 92% de aprovação. Como vê a gestão municipal atualmente? E como vê sua esposa, Mara Bertaiolli, como prefeita?
Bertaiolli –
A Mara me surpreende todos os dias. Nunca duvidei da sua capacidade administrativa, da sua força de trabalho e da sua dedicação. Mas ela tem ido muito além do que eu imaginava. Em menos de dois anos, recolocou a cidade nos trilhos. São mais de 80 obras em andamento, em licitação ou em fase de projeto. É um volume impressionante para uma primeira gestão, especialmente considerando a situação financeira e administrativa que encontrou.
E digo isso não apenas como alguém que já foi prefeito, mas como quem continua vivendo Mogi diariamente, acompanhando de perto os desafios da cidade e o esforço permanente para cuidar das pessoas. Tenho muito orgulho de ser o “primeiro-damo” de Mogi das Cruzes e ver a Mara como a primeira mulher na história de 466 anos de Mogi a ocupar o cargo de prefeita.

Revista Opinião – O senhor imaginava, um dia, ver sua esposa prefeita de Mogi das Cruzes?
Bertaiolli –
Sinceramente, não. Mas sempre acreditei que não somos nós que escolhemos a política; é a política que nos escolhe. A Mara foi escolhida pela sua competência, pelo trabalho realizado à frente do Fundo Social durante os oito anos em que fui prefeito, pelos 10 anos em que presidiu a Associação do Voluntariado de Mogi das Cruzes e por sua determinação em cuidar das pessoas. Só vale a pena estar na vida pública se for para melhorar a vida das pessoas e vejo todos os dias o trabalho da Mara cumprindo este propósito. Como marido, como cidadão mogiano e como alguém que conhece profundamente essa cidade, isso me traz um orgulho imenso.


Hoje, conselheiro-corregedor do Trobunal de Contas, cuidando do Estado de São Paulo e seus 644 municípios

Edição 251

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