Mogi 466 anos:o futuro começa onde a história criou raízes



Mogi das Cruzes comemora seus 466 anos neste 1o de setembro. A dimensão atual revela um novo cenário em levantamento do IBGE: uma população estimada em 470.302 habitantes em 2025, distribuída por um território de 712,5 quilômetros quadrados, uma economia diversificada e uma estrutura de serviços que atende aos moradores e estabelece relações permanentes com os municípios do Alto Tietê e com a Capital.
O número de habitantes é um dos primeiros indicadores dessa transformação. Em 2000, Mogi tinha 330.241 moradores; em 2010, chegou a 387.241 e, no Censo 2022, alcançou 451.505. Em pouco mais de duas décadas, foram mais de 120 mil novos habitantes. A estimativa mais recente do IBGE aponta para 470.302 pessoas em 2025. A dimensão humana de uma cidade que mudou de escala e de perfil aparece nas diferentes gerações, famílias e formas de morar que ocupam o mesmo território. São pessoas que nasceram em Mogi e outros que chegaram atraídos pela possibilidade de combinar a estrutura de uma cidade de grande porte com a proximidade da Capital e do litoral.

Nas duas últimas décadas essa transformação também ganhou uma extensão territorial visível. A expansão de bairros, condomínios e novos empreendimentos residenciais modificou a paisagem urbana, marcada também por inúmeras áreas que receberam a verticalização. A cidade cresceu para os lados e para cima.
A proximidade da metrópole e as características de qualidade de vida ajudam a compreender essa transformação residencial. Parte dos moradores mantém atividade profissional em outros municípios, especialmente na Capital, enquanto a vida cotidiana – moradia, consumo, educação, serviços e relações familiares – permanece em Mogi.
Mogi de hoje também é resultado da transformação de sua base econômica. Agricultura, indústria, comércio e serviços convivem em um território que ganhou novas atividades e ampliou sua capacidade de gerar negócios, empregos e renda. É uma economia que não depende de uma única vocação. A indústria permanece como uma frente importante para a economia local, apoiada pela localização do município e pelas áreas destinadas à atividade industrial.

O mercado de trabalho oferece outro sinal dessa dinâmica. Em março de 2026, Mogi ocupou a 12ª posição entre os municípios paulistas com melhor resultado no mês em relação à empregabilidade, segundo levantamento baseado no Caged e analisado pela Fundação Seade.
O crescimento populacional veio acompanhado da transformação da ocupação urbana, com moradores com diferentes perfis, entre eles jovens casais, famílias com filhos e pessoas que trabalham fora do município.
Essa dinâmica ajuda a explicar uma característica singular: Mogi é, ao mesmo tempo, cidade de trabalho e cidade de residência. A mobilidade não é apenas uma questão de transporte, mas parte da identidade contemporânea da cidade.}

Mogi reúne diferentes caminhos de formação, da educação básica ao ensino técnico e superior, cultivando uma base que construirá com sabedoria o futuro. A presença de instituições como Universidade de Mogi das Cruzes, Centro Universitário Braz Cubas, Fatec, Etec, Senai e Univesp ampliam esse ecossistema de formação.]


Fundada em 1962, pelo Padre Melo, a Organização Mogiana de Educação e Cultura (OMEC), começou como escola de ensino fundamental que logo deu origem à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e, em 1973, se tornou a Universidade de Mogi das Cruzes, a UMC. Mogi se transforma em polo universitário de referência nacional


Da economia tradicional à cultura da inovação
Mogi já possui iniciativas voltadas ao empreendedorismo, à inovação e à economia circular. O dado mais interessante talvez esteja na própria estrutura dos negócios: a presença expressiva de microempreendedores mostra que empreender já faz parte da dinâmica econômica no dia a dia.
A inovação também começa a alcançar setores tradicionais, como na agricultura, por exemplo, com a adoção de tecnologias de conservação do solo e sistemas de plantio direto de hortaliças, mostrando que inovação não é exclusividade das empresas de tecnologia. No ambiente urbano, estruturas de empreendedorismo e inovação. A conexão entre universidades, empresas, produtores, empreendedores e novos talentos amplia o potencial desse ecossistema.

O Cinturão Verde: uma força que permanece
Em uma cidade que se transforma rapidamente, uma das maiores singularidades de Mogi está justamente naquilo que permanece: a força de sua produção rural. Mogi é um dos principais municípios produtores de hortaliças do Cinturão Verde paulista. O Cinturão Verde é uma atividade econômica contemporânea, integrada ao abastecimento regional e capaz de incorporar tecnologia aos sofisticados sistemas logísticos para este tipo de carga.
A força do setor também aparece na organização das cadeias produtivas. Em 2025, Mogi foi reconhecida pelo programa estadual SP Produz, por cadeias produtivas relacionadas à agricultura familiar, fungicultura e pecuária do leite. A agricultura, portanto, está presente nos três tempos – passado, presente e futuro, conectando economia, tecnologia, meio ambiente, segurança alimentar e abastecimento.


O Shibata Supermercados, fundada por Masanosuke Shibata e seus três filhos, começou a operar em 1976 no bairro do Socorro, em Mogi, no carinhosamente chamado de “Shibatinha”. Hoje, conta com 33 lojas em 18 cidades e é uma referência no Estado

Uma indústria que fortalece a economia brasileira
A indústria é uma das dimensões que ajudam a explicar a transformação econômica de Mogi das Cruzes. Em quatro áreas destinadas à atividade industrial – Taboão, Cocuera, Braz Cubas e Cezar de Souza – diferentes cadeias produtivas convivem com a agricultura, os serviços e a logística que movimentam o município.
Mais interessante do que enumerar empresas é observar o que efetivamente se produz em Mogi. Alguns exemplos ajudam a dimensionar essa diversidade.

Na Nachi, a produção de rolamentos e componentes para diferentes aplicações convive com uma divisão de robótica. Na RUD, a especialidade está nas correntes. A empresa produz desde pequenos elos e componentes para movimentação e amarração de cargas até sistemas de correntes para pneus de máquinas utilizadas em atividades como mineração, construção e setor florestal. É uma produção que transforma um elemento aparentemente simples em soluções para operações de grande porte.

No bairro de Cocuera, a Companhia Suzano mantém uma unidade que integra a operação de bens de consumo da companhia, fabricando produtos de papel para diferentes usos, enquanto empresas como Rinnai, Elgin, Kimberly-Clark, Nachi, Niterra e General Motors ajudam a revelar a variedade de segmentos industriais presentes no município. São exemplos diferentes, mas reveladores. Mogi não apenas abriga indústrias: concentra conhecimentos, processos e produtos que chegam a mercados muito maiores do que os limites do município.
Essa capacidade produtiva também exige uma estrutura capaz de receber matérias-primas, movimentar componentes e levar produtos a diferentes destinos. A localização de Mogi, seus distritos industriais e suas conexões rodoviárias se encontram, assim, com uma tradição logística que faz parte da própria história econômica da cidade – em Mogi, em 1956 nasceu a JSL – Júlio Simões Logística, empresa do grupo SIMPAR, que mantém parte de suas operações e treinamento no bairro de Braz Cubas.
A trajetória ajuda a revelar uma conexão importante para a economia local: agricultura, indústria e logística fazem parte de uma mesma dinâmica territorial. Mogi produz, transforma e movimenta – e essa combinação ajuda a explicar a diversidade de sua economia.

Com quase 50 anos de existência, a Helbor Empreendimentos S.A é uma empresa de capital aberto, mogiana, e que mantém sua sede na cidade de Mogi das Cruzes até hoje



A cidade que cresce em meio ao verde
Mogi possui um território de 712,5 quilômetros quadrados, dos quais parte expressiva permanece ocupada por áreas rurais, de preservação e de produção. Serra do Itapeti, Serra do Mar, mananciais e várzea do rio Tietê formam uma paisagem que diferencia o município da Região Metropolitana. O Parque Natural Municipal Francisco Affonso de Mello, na Serra do Itapeti, é um dos exemplos desse patrimônio, com 352,3 hectares e registros de centenas de espécies de fauna e flora.
O dado mais importante, porém, ultrapassa a dimensão das áreas verdes de Mogi e diz respeito ao crescimento da população e atividade econômica estarem em sintonia com a manutenção dos recursos naturais – estes explicam justamente por que tantas pessoas escolhem viver nesta cidade.
Preservação ambiental é uma pauta integrada que está relacionada à qualidade de vida dos moradores, que soma segurança hídrica, agricultura, turismo, lazer e o próprio modelo de ocupação do solo nas áreas urbana e rural.

Esporte e movimento
Mogi das Cruzes não construiu sua identidade a partir de uma única modalidade esportiva. O movimento ocupa diferentes espaços da cidade: está na formação de crianças e jovens, nas competições, nos clubes, nas academias, nos parques e nas práticas que associam atividade física, saúde e convivência.
Entre os mogianos que chegaram ao pódio internacional, o judoca Willian Lima representa uma trajetória que ainda está em movimento. Prata no individual e bronze por equipes nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o atleta levou o nome de Mogi ao pódio olímpico e mantém na cidade parte de sua trajetória esportiva.
A conquista se insere em uma história anterior de medalhas. Dirceu Pinto, do bocha paralímpico, foi representante mogiano no esporte internacional, com quatro medalhas de ouro e uma de prata em Jogos Paralímpicos.

O basquete acrescenta outro capítulo a essa história. O mogiano Nilo Guimarães foi armador da Seleção Brasileira, disputou os Mundiais de 1982 e 1986 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, além de conquistar a prata no Pan-Americano de 1983. Depois da carreira como jogador, tornou-se treinador e comandou a equipe de Mogi no final dos anos 1990. Sua trajetória também se relaciona à retomada do basquete profissional da cidade e à construção de sua presença no cenário nacional. Atualmente, o Mogi Basquete dá continuidade, com o apoio de empresas da cidade, a uma história que já revelou atletas, treinadores e equipes de destaque.

A formação de novos atletas aparece em outras modalidades. No tênis, Laís Mika Shibata, mogiana, representa essa nova geração. Aos 17 anos, recebeu wildcard para a chave principal do São Paulo Tennis Classic, torneio feminino da Federação Internacional de Tênis realizado em Mogi, mostrando como a cidade também participa da formação e projeção de jovens talentos.
Essa base se fortalece nas escolinhas e projetos de iniciação esportiva, enquanto clubes e competições movimentam diferentes gerações. Torneios tradicionais, como Corujinha e Corujão, promovidos pelo Clube de Campo de Mogi das Cruzes, fazem parte desse calendário de formação e convivência esportiva
Essa cultura de movimento também se constrói em espaços especializados. A Trainer Academia que completou 33 anos em 2025, tem com um dos sócios fundadores, Marcos Pudo, professor mestre e estudioso da fisiologia do exercício, que ajudou a construir uma proposta baseada em conhecimento, acompanhamento profissional e busca permanente pela excelência. A estrutura reúne diferentes possibilidades de treinamento e atividades, atendendo públicos diversos e associando performance, saúde e qualidade de vida.

Nos espaços cotidianos essa relação com o movimento ganha outra dimensão. O Parque da Cidade e o Parque Centenário recebem atividades esportivas, caminhadas, corridas e diferentes práticas corporais. As corridas de rua completam esse calendário de ocupação dos espaços públicos, levando diferentes públicos para ruas e parques da cidade.
É nesse encontro que esporte, saúde, lazer e convivência ganham uma leitura comum. Há atletas, formação de base, competições, academias, parques, corridas e espaços de convivência. Entre uma medalha, uma escolinha, uma partida, um treino ou uma corrida, diferentes experiências revelam uma cidade que oferece espaços para o corpo se movimentar, aprender, competir, superar limites e seguir a jornada de forma saudável. É também uma forma de viver Mogi.

Com o apoio da torcida e de empresas da cidade, o Mogi Basquete tornou-se referência no cenário nacional, disputando campeonatos de alto nível e revelando talentos


Ampliação da urbanização
O futuro de Mogi também está sendo desenhado em sua dimensão territorial. A expansão de bairros, condomínios e loteamentos mudou a paisagem urbana nas últimas décadas. Áreas inicialmente residenciais passaram a receber comércio e serviços, novas centralidades surgiram e a verticalização ganhou espaço em regiões que antes tinham outra configuração. A cidade mudou fisicamente e as funções dos bairros também mudaram.
Na expansão urbana o adensamento, mobilidade, infraestrutura, habitação, serviços e preservação ambiental fazem parte de um conjunto integrado que leva em conta os novos imóveis e a capacidade de oferecer às pessoas conectividade, comércio, educação, lazer, serviços e espaços de convivência. É uma mudança que já vem acontecendo, com uma disposição para que a transformação territorial acompanhe a vida real de quem mora na cidade.

Uma cidade em posição estratégica
Mogi é estrategicamente posicionada para circulação de pessoas, mercadorias e conhecimento. A Linha 11-Coral integra Mogi à rede metropolitana de transporte sobre trilhos, enquanto as rodovias Mogi-Bertioga, Mogi-Dutra, Ayrton Senna, Presidente Dutra e outras conexões viárias ampliam o acesso à Capital, ao litoral e ao Vale do Paraíba. Esse movimento ajuda a explicar uma característica da cidade contemporânea: há moradores que mantêm sua residência, consumo, educação e relações familiares em Mogi, mas integram um mercado de trabalho que ultrapassa os limites municipais.

Essa posição é uma vantagem competitiva e ajuda a explicar parte da transformação residencial do município. Para quem trabalha na Capital, Mogi oferece uma alternativa de moradia conectada à metrópole. Para quem vive na cidade, a integração amplia o acesso a empregos, universidades, serviços e oportunidades fora do município. Estas muitas possibilidades resultam em uma Mogi contemporânea, mesmo carregando seus 466 anos de história.

As próximas décadas
A história ajuda a compreender a dimensão das escolhas que Mogi faz no presente. Mogi chega a 2026 com uma população próxima de meio milhão de pessoas, uma economia diversificada, forte presença de serviços e pequenos negócios, tradição agrícola, instituições de ensino, ativos ambientais e localização estratégica. O próximo ciclo será resultado da combinação dessas vocações.

A economia oferece capacidade de transformação. A educação desenvolve talentos. A inovação abre possibilidades. Com todas essas dimensões temos um ponto de convergência: as pessoas – moradores que ocupam os novos e os tradicionais bairros, frequentam escolas e universidades, produzem, consomem e constroem suas vidas na cidade. Pensar Mogi para os próximos dez ou vinte anos significa, portanto, pensar o melhor para seus habitantes!
Chegar aos 466 anos é motivo de celebração e traz momentos de reflexão sobre o futuro, ao mesmo tempo em que aprimoramos tudo que já foi construído. Talvez essa seja a melhor leitura dos seus 466 anos: uma cidade que carrega quase cinco séculos de história, sendo transformada em todas as direções, se preparando para viver as próximas décadas a partir de escolhas que estão se desenhando no presente, movidas por pessoas que vivem, trabalham, estudam, empreendem, produzem, consomem e constroem suas vidas aqui, na nossa Mogi, a aniversariante do mês!


Com o crescimento da cidade, obras públicas são necessárias para acomodar o aumento da população. Uma delas é a obra da Nova Perimetral de Mogi, que liga a região de Cezar de Souza ao Rodeio, além de integrar corredores importantes para desafogar o trânsito da Avenida João XXIII

Curiosidades sobre Mogi

O footing da Praça Oswaldo Cruz
Antes das redes sociais e dos aplicativos, a Praça Oswaldo Cruz era ponto de encontro dos jovens mogianos. No tradicional footing, moças e rapazes caminhavam em sentidos opostos ao redor da praça – e os olhares faziam parte do ritual de paquera.

Quando “campo” era mesmo campo
Fundado em 6 de agosto de 1957, o Clube de Campo de Mogi das Cruzes recebeu esse nome porque a área escolhida ficava, na época, afastada do centro da cidade. Com a expansão urbana, o entorno mudou completamente – mas o nome permaneceu como uma pequena lembrança da geografia de Mogi de quase 70 anos atrás.

Um casarão sem pregos – e tombado em três esferas
Construído em 1942 no bairro de Cocuera, o Casarão do Chá foi erguido pelo mestre-carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka com técnicas tradicionais de encaixe de madeira, que dispensaram o uso de pregos. A singularidade arquitetônica ajudou a garantir seu reconhecimento como patrimônio estadual, federal e municipal. O tombamento ocorreu em 1982 pelo CONDEPHAAT, em 1986 pelo IPHAN e, em 2018, pelo município.

Edição 251

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