Uma moeda. Um valor. Um novo ciclo

Fim de ano. Época de encontros, de abraços, de mesas cheias e memórias ainda mais. Tempo em que as luzes se acendem nas ruas, mas também dentro da gente. E, entre tanta correria, compras, despedidas e planos para o futuro, talvez tudo o que a gente precise seja de um símbolo simples.

Uma moeda.

Sim, uma moeda. Uma de 1 real. Pequena, comum. Daquelas que a gente nem sempre valoriza, mas que carrega em si uma lição poderosa — daquelas que o Natal, com sua sensibilidade, e o Ano Novo, com sua vontade de recomeço, adorariam contar.

A moeda de 1 real é feita de dois lados. Um dourado, outro prateado. Um lado brilha mais. O outro parece mais apagado. E ainda assim, só quando os dois estão juntos, inteiros, conectados… ela vale.

Assim também somos nós.
 Cheios de lados. Lados bons e outros nem tanto. Com momentos em que brilhamos, e outros em que só conseguimos existir em silêncio. Com opiniões, ritmos e histórias diferentes. E tudo bem. O valor está justamente aí: na diferença.

Daria menos trabalho viver num mundo em que todos pensassem igual, sentissem igual, reagissem igual.
 Mas também seria entediante.

O verdadeiro valor das relações está no que o outro tem e eu não.
 Naquilo que falta em mim e transborda no outro.
 Naquilo que somos quando decidimos conviver, respeitar e somar.

E se neste Natal, em vez de buscar presentes perfeitos, buscássemos aceitar as imperfeições?
 E se, no Ano Novo, em vez de fazer promessas grandiosas, começássemos reconhecendo o valor da nossa própria jornada?

Porque, no fim das contas, o número 1 gravado na moeda não representa só o valor de face. Representa o começo. O primeiro passo. A primeira chance. A primeira vez.

E algumas primeiras vezes… são únicas:
 – O primeiro abraço que fez sentido.
 – O primeiro erro perdoado.
 – A primeira conversa que mudou a rota.
 – A primeira vez que alguém olhou pra você e viu valor, mesmo quando você estava no chão.

Aliás, até nisso a moeda ensina:
 Ela pode cair. Pode rolar pra debaixo do sofá. Pode ser esquecida no fundo da mochila.
 Mas nada disso tira o que ela vale.

Você pode estar cansado, sobrecarregado, confuso, perdido.
 Mas ainda assim: você vale.

E se existe algo que o Natal nos lembra, é isso: que vale a pena amar o imperfeito.
 E se há algo que o Ano Novo nos oferece, é isso: que sempre podemos recomeçar — com todos os nossos lados.

Então, neste fim de ano, meu convite é simples:
 Encontre uma moeda de 1 real.
 Guarde com carinho.
 E sempre que duvidar de si mesmo, ou julgar alguém apenas por um lado, olhe pra ela.
 Lembre-se: toda moeda tem dois lados.

E quem só enxerga um… está vendo pela metade.

Edição 245

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