Você está construindo riqueza ou correndo na “roda dos ratos”?

Thiago Lara é economista, Doutor (USP), Investidor e fundador da AV Capital


A maioria das pessoas trabalha pelo dinheiro. Já quem alcança prosperidade aprende a inverter essa lógica. Poucas fazem o dinheiro trabalhar por elas. Essa simples diferença explica por que algumas pessoas conquistam liberdade financeira enquanto outras passam décadas correndo sem sair do lugar.

   A armadilha começa cedo. Estudamos para conseguir um emprego. Trabalhamos para aumentar a renda. Aumentamos a renda e aumentamos o padrão de vida. Aumentamos o padrão de vida e aumentamos as despesas. Aumentamos as despesas e precisamos trabalhar ainda mais. E assim nasce a famosa “Roda dos ratos.”

   Mais esforço. Mais consumo. Mais compromissos. Mais dependência. E menos liberdade. A boa notícia é que existe uma saída. Ao longo dos anos desenvolvi uma forma simples de visualizar essa jornada. Primeiro, é preciso entender que prosperidade financeira não é salário.

   Prosperidade financeira é patrimônio gerando renda. Enquanto você depende exclusivamente do seu trabalho, você possui renda ativa. Quando seus ativos começam a gerar renda, você começa a construir renda passiva. E é aqui que entra um indicador fundamental:

• IIF – Índice de Independência Financeira. O IIF mede quantos por cento do seu custo de vida mensal já estão sendo cobertos por renda passiva. Se suas despesas são de R$ 10 mil por mês e seus ativos geram R$ 5 mil por mês, seu IIF é de 50%. Isso é um bom sinal! Quando sua renda passiva cobre 100% do seu custo de vida, ai você alcançou a independência financeira.

   Mas existe um estágio acima. A liberdade financeira, quem a atinge realmente “zerou o game” atingindo a prosperidade financeira. Para isso utilizo outro conceito:

– CLE : Capital de Liquidez Existencial. O CLE representa o patrimônio necessário para sustentar seu padrão de vida de forma segura, duradoura e perene. Uma referência simples é possuir aproximadamente em patrimônio o equivalente a 20x o seu custo anual de vida investido em ativos produtivos.

   Fácil? Nem tanto. Factível? Com certeza. Dezenas de nossos clientes atingem a tão sonhada liberdade financeira. Vale lembrar também que quanto menor seu custo de vida e maior sua capacidade de gerar renda passiva, mais rapidamente você alcança essa liberdade. Mas existe algo ainda tão importante quanto o patrimônio. A consciência dos ciclos da vida. A vida financeira pode e deve ser dividida em quatro grandes fases de aproximadamente 25 anos.

– Dos 0 aos 25 anos: Aprender e ter experiências

– Dos 25 aos 50 anos: Construir e performar

– Dos 50 aos 75 anos: Consolidar e usufruir

– Dos 75 aos 100 anos: Doar e transmitir legado

  Quem entende o ciclo toma decisões melhores. Quem ignora o ciclo normalmente chega ao final com arrependimentos. Por isso, alguns princípios merecem atenção:

– Viver abaixo dos ganhos.

– Evitar dívidas e consumo desnecessário.

– Investir regularmente.

– Construir ativos.

– Pensar no longo prazo.

– Priorizar geração de patrimônio.

   Esses princípios aparecem em diversas culturas e tradições ao longo da história, inclusive na tradição judaica, reconhecida mundialmente pela valorização da educação, do trabalho, da poupança, dos investimentos e da construção multigeracional de patrimônio.

   Prosperidade financeira não é um evento. É um processo. Não acontece da noite para o dia. Acontece através de centenas de decisões corretas repetidas ao longo de décadas. No final, a pergunta não é quanto dinheiro você ganhou. A pergunta é: Quanto da sua vida você conseguiu libertar?

   Porque o verdadeiro objetivo da riqueza não é acumular números. É conquistar liberdade.

Edição 249

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