Ainda que haja quem discorde, a tendência natural do ser humano é ao egoísmo, e vemos essa característica negativa expressa em muitas atitudes no dia a dia das pessoas. O egoísmo é o amor exclusivo a si mesmo e aos próprios interesses, sendo que alguns extrapolam o que já é uma marca ruim, chegando ao egocentrismo, a idolatria do eu. Segundo uma visão cristã bem fundamentada teologicamente, o homem já nasce corrompido e necessita de redenção, e, por isso, há essa tendência ao egoísmo e até ao egocentrismo.
Contudo, precisamos analisar se esse tipo de postura realmente implica o resultado que seu praticante almeja, ou seja, a satisfação plena de seu eu e/ou sua exaltação extrema. Sabemos que não, e que, nos estertores, os egoístas e egocêntricos acabam por encontrar apenas um vazio e certa solidão. Ocorre que somos seres sociais, não criados para viver o individualismo, mas, sim, a vida em coletividade. Homens formados para se relacionar e, com base nos relacionamentos, nas trocas, alcançar resultados positivos em suas existências.
Primeiramente, é mister enxergar e amar o próximo, como Jesus Cristo nos ensinou: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22:39b). Esse mandamento não quer dizer que devemos primeiro nos amar e depois ao próximo, pois o amor a si mesmo é intrínseco ao ser humano. Mesmo quando alguém atenta contra a própria vida, é porque se ama tanto que não admite alguma situação que considera excessivamente grave em sua existência.
Por outro lado, esse amor não é mero sentimento, mas ação, atitude, como na parábola do bom samaritano que, deixando de lado a rixa com os judeus, amparou o desvalido à beira do caminho, tratou-lhe os ferimentos, carregou-o, hospedou-o e arcou com os custos, ou seja, cuidou dele até o fim, sem esperar qualquer contrapartida (Lc 10:29-37). Esse amor significa reconhecer no outro a mesma dignidade humana e promover o bem do próximo como se fosse a si mesmo. Este é considerado o segundo grande mandamento dentre os dois que resumem a lei de Deus.
Em segundo lugar, é preciso pensar no coletivo: quando, deixando o egoísmo, agimos em favor da coletividade – seja nossa família, nosso círculo de relacionamentos, nossas comunidades, bairro, cidade e assim por diante -, no fim das contas beneficiamos a nós mesmos, pois muitos dos elementos essenciais à vida, e que nos trazem mais conforto, não dependem exclusivamente de uma pessoa, mas do conjunto delas.
Que abandonemos tanto o egoísmo quanto o egocentrismo e passemos a agir enxergando o outro e os outros de maneira carinhosa e solidária, pois, com certeza, isso será de grande valia para nós mesmos: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20:35b).



