Certa vez, li uma meditação que teve como introdução a seguinte ilustração: “Conta-se que certa vez um mercador grego rico ofereceu um banquete com iguarias. Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor delas. O escravo retornou com um belo prato. O mercador removeu o pano e, assustado, disse: ‘Língua?! Este é o prato mais delicioso?’. O escravo, sem levantar a cabeça, respondeu: ‘A língua é o prato mais delicioso, sim, senhor.’ O mercador, não muito convencido, quis testar a sabedoria de seu escravo e o mandou de volta ao mercado, desta vez para trazer o pior alimento. O escravo voltou com um lindo prato coberto por fino tecido. O mercador, ansioso, retirou o pano para conhecer o pior alimento. ‘Língua, outra vez?!’, disse, espantado. ‘Sim, língua’, respondeu o escravo. ‘Não há nada pior do que a língua, e não há nada melhor do que a língua. Tudo depende do modo como a usamos.
Em alguma medida, falhamos em nossas palavras, maldizendo, difamando, dissimulando, mentindo, ofendendo, menosprezando, criticando acidamente, entre outros aspectos negativos de que lançamos mão em nossos discursos. Essas mesmas bocas bendizem, louvam, estimulam, enaltecem, animam, professam verdades, criticam construtivamente, aconselham e orientam, cumprindo-se o que Tiago nos adverte: “Com ela bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que assim seja” (Tg 3:9-10).
A Bíblia compara a língua a um pequeno leme que conduz a nossa embarcação para um destino aprazível ou para o abalroamento e o encalhe, conforme Tiago descreve: “Assim também os navios, embora sejam tão grandes e se movam a impulso de ventos impetuosos, são governados por um pequeníssimo leme, para onde quer que a vontade do piloto deseje. Assim também a língua é um pequeno membro e se vangloria de grandes coisas” (Tg 3:4-5a).
Como nossa inclinação natural é usar mal a língua – visto que “o coração é mais enganoso do que todas as coisas e desesperadamente corrupto …”, como nos lembra Jeremias 17:9 -, parece óbvio que, conforme o conselho de Tiago 1:19, devemos ser “prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-nos”. Enfim, refreie sua língua para que não propague o mal e, mais do que isso, use-a para produzir o bem, revestindo suas palavras sempre de amor e orando com o salmista: “Põe guarda, Senhor, à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Sl 141:3).




