Salvação

Na Semana Santa, que culmina com a celebração da ressurreição de Cristo – data que muitos, por vezes, confundem com a Páscoa judaica -, é comum a troca de mensagens e desejos espirituais focados na morte e vitória de Jesus. Entretanto, frequentemente o fazemos sem perceber a profundidade do que está em causa: a salvação do homem. A morte de Cristo implica a redenção daqueles que o recebem (João 1.12). Todavia, é imperativo conceituar “salvação” sob a ótica reformada, distinguindo-a das variações conceituais. A salvação, essencialmente escriturística, não é um evento estático, mas uma obra monergística de Deus que se desdobra em três tempos: passado, presente e futuro.

O Passado: Justificação. No primeiro tempo, Deus nos salvou da culpa e da penalidade do pecado. Esta é a Justificação, um ato judicial de Deus. Através da morte vicária de Cristo, o Supremo Juiz determina que somos declarados justos. Esta declaração não repousa em qualquer mérito humano – pois não o possuímos -, mas unicamente na misericórdia e na graça de Deus, que nos imputa a justiça de Seu Filho. Conforme Romanos 5.1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.

O Presente: Santificação. No presente, Deus nos salva do hábito e da prática do pecado. É o processo de Santificação. Por nós mesmos, jamais conseguiríamos vencer as inclinações da natureza caída em Adão. Embora declarados santos (separados) por Deus, ainda somos assediados pelo pecado enquanto vivermos nesta carne. Deus, contudo, nos capacita a lutar e vencer, o que exige tanto o enfrentamento corajoso quanto a fuga das tentações e a comunhão constante mediante a oração. Como afirma Romanos 6.14: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós”. Permaneceremos pecadores em luta até a morte ou a glorificação, mas não mais sob a escravidão do vício.

O Futuro: Glorificação. Finalmente, há a salvação no futuro: o livramento da “segunda morte” e a plena restauração da imagem de Deus em nós. Esta é a Glorificação. Embora garantida desde a justificação, sua plenitude dar-se-á apenas ao final, quando o pecado será erradicado. Aqueles que vivem longe do Criador enfrentam o alerta do sofrimento eterno; mas, para o crente, a promessa é a vida imperecível. Conforme 1 João 3.2: “Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele”.
Conclusão: Deus nos salvou da culpa (justificação), nos salva da prática (santificação) e nos salvará da presença do pecado (glorificação). Que esta mensagem sirva de reflexão e alerta: a segurança da salvação repousa exclusivamente em Cristo – aquele que morreu e ressuscitou para que tivéssemos vida eterna.

Edição 248

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