Sem princípios não há justiça

Existem leis proibitivas, porém, muitas vezes, seus próprios autores e aqueles que deveriam ser seus guardiões acabam por quebrá-las de forma contumaz e reiterada. Com o tempo, esse comportamento torna-se tão comum que passa a parecer normal, revelando falhas no próprio sistema, incapaz de prevenir tais desvios. As consequências recaem sobre o país e sobre o seu povo.
Com base em minha experiência e reflexões – ainda que reconheça suas limitações – ouso afirmar que, se o Brasil ou qualquer outro país estruturasse suas normas a partir dos princípios fundamentais do decálogo bíblico (Dez Mandamentos), bem como do resumo que Cristo faz deles, certamente teríamos uma nação mais equilibrada e próspera. Explico.

Os Dez Mandamentos podem ser compreendidos em dois grandes eixos. O primeiro regula a relação do homem com Deus; o segundo, a relação do homem com o seu semelhante. Cristo resumiu esses dois eixos da seguinte forma: quanto ao primeiro, “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”; e quanto ao segundo, “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.´Não ter outros deuses, não fazer imagens para adoração, não tomar o nome do Senhor em vão e lembrar-se do sábado para santificá-lo indicam como o ser humano deve portar-se diante de Deus, seu Criador – amando-o com devoção e reverência.
Honrar pai e mãe, não matar, não adulterar, não furtar, não mentir e não cobiçar mostram como o homem deve relacionar-se com os seus semelhantes, ou seja, tratando-os com um amor verdadeiro e sacrificial. Vale lembrar que esse amor não se reduz a um mero sentimento. Trata-se de uma atitude concreta, uma disposição interior que se traduz em ações.

Se tais valores servissem como parâmetros para a elaboração de nossas leis, teríamos normas mais justas e capazes de sustentar um sistema social equilibrado, voltado ao bem comum de toda a sociedade. Infelizmente, a realidade que temos presenciado é bastante diferente. Por isso, tanta injustiça e tantas dificuldades ainda se espalham entre o nosso povo.
Talvez esses princípios ainda possam servir de referência para aqueles que elaboram as leis e para os que zelam por seu cumprimento. Mas, ainda que isso não aconteça, ao menos você e eu podemos procurar aplicá-los em nossas próprias atitudes. Se, antes de cada decisão ou ação, refletirmos à luz desses princípios e procurarmos agir de acordo, já estaremos dando um passo importante na direção de um país mais justo e mais próspero.

Edição 246

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