sexta-feira, 15 outubro, 2021
A grande apostasia

Em 1939, A Guerra Civil Espanhola estava chegando vitoriosa ao fim pelos nacionalistas, sob o comando do general Francisco Franco. O general Mola, em reunião, preparava o ataque à Madrid com quatro colunas de tropas prontas para tomar a cidade, quando alguém lhe perguntou qual delas seria a primeira a atacar. A resposta estranha, curta e mundialmente famosa foi: “A quinta”. O general não tinha como mais importante a sua linha de ataque fora da cidade, mas, sim, os simpatizantes dentro dela. Desde então o termo “quinta coluna” passou a significar aqueles que simpatizam com um invasor e o ajudam do lado de dentro.
Quinta coluna, dentro do cristianismo, é formada por aqueles que de modo dissimulado convivem com os cristãos espalhando entre eles um novo evangelho antibíblico, denominado pela Igreja como apostasia. Paulo, em sua época, alertou pessoalmente e por cartas às igrejas do risco da doutrina ser deformada por esses falsos ensinamentos, precisando ter, em muitas ocasiões, perante a igreja, acalorados debates com esses falsos mestres em defesa da Verdade. No Oriente, radicais Islâmicos promovem uma guerra sangrenta e selvagem para estabelecer um califado, e implantar o islamismo como religião mundial.. No Ocidente, uma guerra filosófica tenta remover toda influência de uma religião: o cristianismo. A guerra no Oriente é para estabelecer uma religião e a guerra no Ocidente é para erradicar uma religião. O secularismo e o humanismo cobriram com um véu de miopia espiritual a verdade e a mentira borrando o discernimento entre o certo e o errado: O mal não é tão mau assim, e o bem não é tão bom assim.
No mundo pós-moderno, de fora, o cristianismo tem sido encurralado pelos ateus que usam a espada da razão para tentar ferir de morte a fé. Teólogos liberais e falsos mestres, de dentro, enfraquecem e até negam a doutrina e a moral cristã. Esse câncer denominado liberdade de expressão teológica, está corroendo o coração do cristianismo bíblico através da apostasia. A era pós-moderna nos parece ser a era da nenhuma verdade – uma era que já não acredita na única verdade porque cada um tem a sua verdade. Sendo assim, o novo Evangelho deixou o Pastor das ovelhas que estava a frente para trás do rebanho, e assumiu a liderança apregoando uma doutrina deformada que agrada aos homens. J. I. Packer, teólogo evangélico canadense, faz a diferença entre o novo e o antigo evangelho ao afirmar que o novo preocupa-se por demais em “ajudar” o homem – criando nele paz, consolo, felicidade e satisfação – e pouco demais em glorificar a Deus, como faz o antigo, reconhecendo que todo bem, tanto no âmbito da natureza quanto no âmbito da graça, vem de Deus. No antigo o centro de referência era Deus, no novo é o homem.
O evangelho de satanás, com sagacidade, procura anular na mente do homem a soberania e o poder de Deus. Soberbo, ele se julga deus, na ciência e na tecnologia, então, pensa fazer deste mundo um habitat tão confortável e saudável que a presença ou ausência de Cristo não seria mais percebida por ser Ele desnecessário, como também um céu eterno. Essa mudança de foco trouxe mudanças doutrinárias agradáveis ao homem: não pregar sobre o pecado, a condenação eterna, incentivar a autoestima, valorizar as boas obras como atos meritórios de salvação, Cristo deixa de ser o único caminho e outras tantas loucuras de falsos enxertos teológicos na sã doutrina.
O vírus da heresia da teologia relacional tem tentado contagiar com a mentira a verdadeira doutrina reformada. Da afirmação do apóstolo Paulo: “… eu sei em quem tenho crido…”, e devido a grande apostasia do tempo atual alguns teólogos célebres escreveram um livro com este título: “Eu Não Sei Mais Em Quem Tenho Crido”, é o que está acontecendo na vida espiritual de muitos cristãos nominais, de hoje, do que profetizou Jesus para os tempos finais: “E por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” e “Quando vier o Filho do Homem, achará porventura fé na terra?”

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Dr. Mauro Jordão é médico ginecologista.

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