segunda-feira, 22 abril, 2024
Mal e bem

O escritor Júlio de Mello e Souza, autor do famoso livro O Homem que Calculava usava o pseudônimo de Malba Tahan, e em sua outra obra “Céu de Alá” nos conta a história de dois sheiks que em suas preces pediam a Alá piedade para os felizes, para os que se julgam venturosos, e clemência para aqueles que vivem tranquilos, ditosos e alegres.
Surpreso ficou mais ainda quando o ancião da esquerda orou assim: “Faze, Senhor, com que os infelizes vejam no mal que os aflige a dádiva celestial que redime as criaturas preparando-as, no tempo efêmero, para a vida eterna! Senhor esclarece, também, aqueles que erradamente se julgam desventurados!” Curioso, aproximou-se dos dois homens, após o momento da prece, indagando como pode um homem de bem, crente de Alá, implorar a piedade e a compaixão de Deus para os que nadam no mar cor-de-rosa das venturas e aceitar o mal como dádiva celestial; um deles, o sábio Sid Al-Zarif, explicou sua nova teoria do mal: “Toda a minha filosofia, a única aceitável e verdadeira, baseia-se no seguinte princípio: ‘O mal não existe. O mal é um bem que não se conhece.’
É preciso que os homens se convençam de que, neste mundo, as punições divinas são ensinamentos e não infortúnios”. O provérbio popular nos diz que “há males que vem pra bem”, e não se distancia da verdade, porém, há que diferenciar do mal que praticamos e que nos traz como consequência o castigo, conforme o provérbio bíblico que nos alerta: “Quem semeia vento, colhe tempestade”; e há aquele mal inexplicável que alguém recebe, seja fugaz ou permanente, sem que se saiba a razão, se há culpa ou não, ou pela herança maldita da Queda do homem no Jardim do Éden.
Afirmar que o mal não existe é fechar os olhos a realidade do sofrimento que nos invade e nos rodeia. Assim como a Lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, assim também, o mal pode nos servir de preceptor para nos encaminhar ao bem, mas continua sendo o mal. Senhor, livra-nos do mal que busca a destruição do nosso caráter cristão. Da milenar atividade da agricultura até a revolução industrial, que ocorreu no final do Séc.XIX e no início do Séc.XX tornou-se a razão do despovoamento do campo e do crescimento desordenado da cidade.
A revolução digital aconteceu no começo de 1990 quando foi desenvolvida a Word Wide Web, seguida pelo Google em 1998. Há 5,3 bilhões de internautas no mundo (mais da metade da população mundial), aproximadamente 200 milhões de páginas na internet em disponibilidade para escolha do navegador. O acesso à informação tornou-se espetacular, mas também nos deu um mundo digital sem hierarquia onde todos mandam e ninguém obedece: consumismo facilitado, vidas vilipendiadas, discriminação embrutecida, difamação sem provas, violência sem limites e imoralidade sem censura. Um mundo atual onde se aplaude o mal e ridiculariza-se o bem. Albert Einstein disse: “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”.
O mal virou, apenas, noticiário e entretenimento nas grandes e pequenas telas dos nossos lares. O amor ao próximo está sendo substituído pelo medo, tornando-o distante da afeição das nossas mãos. Com essas histórias de assédio o chefe de um escritório de muitos funcionários pediu que evitassem beijos e abraços, elogios de roupas ou perfumes, piadas sensuais, almoço, no restaurante da empresa, sem isolar-se a dois dos demais, desviando-se, assim, da “aparência do mal”. Que mundo! Liberdade de expressão é só para a minoria atuante e militante no campo da arte, da política, da religião e da moral que amordaça ou achincalha a opinião da maioria que pensa diferente. Afinal de que lado estamos nesse dilema de discriminação? Não há proibição de se pensar diferente, porém, sem o desejo de padronizar o pensamento dos outros. Sendo semelhantes não somos iguais.
Por que nos afastamos tanto assim uns dos outros? O ódio é o caminho que leva à destruição da humanidade. Só o amor nos une ao próximo, também, é a ponte espiritual que nos leva ao Pai pela mão do seu Filho Jesus Cristo.

Dr. Mauro Jordão é médico ginecologista.

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