quinta-feira, 18 julho, 2024
Usar tecnologia na escola, não é usar o celular!

O uso de celulares nas escolas tem sido um assunto debatido em vários países, refletindo preocupações com a privacidade, a saúde mental dos estudantes e a eficácia do processo de ensino e aprendizagem. A Unesco, uma agência da ONU, tem destacado a importância de usar a tecnologia de maneira eficiente na educação, mas também alerta para os riscos associados ao uso excessivo de dispositivos digitais e a coleta de dados pessoais dos estudantes pelas empresas de tecnologia.
Vários países adotaram políticas para restringir ou proibir o uso de celulares nas escolas. Entre eles estão México, Finlândia, Holanda, Portugal, Espanha, Suíça, Estados Unidos, Letônia, Escócia, Canadá, França, Uzbequistão, Guiné e Bangladesh. Essas medidas visam a minimizar as distrações causadas por esses dispositivos, proteger a privacidade dos dados dos alunos e proporcionar um ambiente de aprendizado mais focado. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi observado que crianças de 11 a 14 anos passam cerca de nove horas por dia expostas a telas, um fato que levanta preocupações sobre a saúde e o bem-estar geral. Além disso, a Unesco destaca que 89% dos produtos de tecnologia educacional recomendados durante a pandemia poderiam coletar dados das crianças, muitas vezes repassando essas informações para empresas de publicidade.
A Unesco também ressalta a importância de debater até que ponto a tecnologia deve ocupar espaço na sala de aula e as desigualdades no acesso à tecnologia. É enfatizado que as ferramentas tecnológicas nas escolas devem ter um papel no apoio à aprendizagem e que é necessário estabelecer diretrizes para o uso responsável dessas tecnologias, complementando o ensino presencial, que continua sendo crucial para o aprendizado.
A discussão sobre o uso de celulares nas escolas é complexa e envolve aspectos como eficiência educacional, saúde mental dos estudantes, privacidade dos dados e equidade no acesso à tecnologia. As políticas adotadas variam de país para país, refletindo diferentes abordagens e preocupações. Fato é que a escola precisa constantemente rever seu papel na sociedade, não só do ponto de vista acadêmico, já que a informação (e a desinformação) estão em todos os lugares e vulgarmente na palma da mão, mas também porque assume responsabilidades que são também, e primeiramente, da família. Na tentativa de educar e ao mesmo tempo acompanhar tendências, famílias se perdem nos sims do dia a dia e acabam, por vezes, deixando os telefones celulares dominarem a rotina de crianças e adolescentes desde a hora de acordar até dormir.
Embora uma droga seja definida como qualquer substância, natural ou sintética, que, ao ser introduzida no corpo, altera sua função física ou psicológica, podemos também considerar o celular uma, uma vez que o uso indiscriminado e em excesso provoca um vício. O vício, por sua vez, é caracterizado por um desejo compulsivo de continuar usando alguma coisa apesar dos danos que ela pode causar. O vício é uma doença complexa do cérebro e do comportamento que envolve a compulsão por uma substância ou atividade, perda de controle sobre o uso dessa substância ou atividade, e continuação do uso apesar das consequências adversas.
Precisamos, diante de tanta desinformação, ter menos medos de traumas, de dizer não, de impor limites e de reconhecer que não é porque todo mundo faz ou usa que é saudável. Precisamos parar (de usar), para educar!

Richard Debre, professor, educador, empresário, consultor, sonhador.

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