domingo, 19 maio, 2024
Como gastar dinheiro

Vou começar mostrando um pensamento interessante de Milton Friedman, economista, estatístico e escritor norte-americano, um dos maiores nomes do pensamento liberal, Nobel de Economia: existem apenas quatro formas de se gastar dinheiro.

   Na primeira forma, o dinheiro é gasto consigo mesmo, o que implica grande zelo por parte do indivíduo, no sentido de despender seus recursos da melhor forma possível, visto que esse dinheiro, em regra, é resultado de seu trabalho pessoal e muita dedicação. Assim, a pessoa busca sempre o melhor custo-benefício em suas aquisições, evitando desperdícios.

   A segunda forma é quando o dinheiro é gasto com outra pessoa, como no caso de um presente. Quem gasta, neste caso, calcula o valor do presente conforme a importância e os méritos do presenteado, portanto, havendo aqui, também, um esforço para o bom uso do dinheiro.

    Na terceira forma, usa-se o dinheiro de outra pessoa em benefício próprio. Como se um amigo oferecesse a outro um passeio, por exemplo, e este pudesse escolher qual seria. Neste caso, há boas chances de o amigo escolher um passeio melhor e mais caro do que outro, pelo qual ele optaria, normalmente, se fosse às suas expensas, enfim, ele não pagaria nada, nesta situação.

   A quarta forma de gastar dinheiro é quando alguém gasta o que é dos outros com os outros. Assim é com o Estado e você: ele gasta o seu dinheiro (impostos e afins) com a sociedade, como um todo.

    Agora, como o dinheiro lhe vem fácil à mão, quem garante que agirá com esmero e competência para aplicar os recursos nas suas necessidades? Quem garante que haverá uma busca implacável pelo melhor custo-benefício do mercado? Para Milton Friedman, neste caso, aquelas premissas descritas para racionalizar o uso do dinheiro nas duas primeiras formas são desprezadas.

   Se pensarmos que os funcionários públicos têm estabilidade e, portanto, dificilmente, serão prejudicados por não prestarem bons serviços, é provável que poucos se esforçarão para gastar bem o dinheiro que não foram eles que auferiram, em benefício da sociedade, e não, exclusivamente, em benefício próprio. Por isso, quanto menos Estado, melhor: é a conclusão à qual chegamos, a partir do arrazoado de Friedman.

Leonel Zeferino é empresário.

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