domingo, 28 novembro, 2021
Cérebro artificialmente turbinado

Muitos de vocês já deve ter ouvido falar de pessoas, grande parte delas estudantes, que tomam medicações indicadas para alguns transtornos (como o TDAH, por exemplo, ou até o Alzheimer) para melhorar seu rendimento nos estudos ou no trabalho ou reduzir a ansiedade e a tensão, mesmo não havendo diagnóstico nenhum. Isso está tão comum, que especialistas deram o nome de “Doping Cerebral”, em alusão ao uso de substâncias para melhorar o desempenho dos atletas.
Mas, afinal, isso é benéfico ou prejudicial? Em primeiro lugar, devemos considerar a regularidade e a intensidade com que esses recursos são utilizados. E, por se tratar de medicações que atuam no Sistema Nervoso Central (SNC) podem causar dependência física, gerando a necessidade de aumentar cada vez mais a dosagem assim que o organismo se acostuma.
Além disso, pode causar dependência psíquica e emocional, ou seja, o resultado é tão bom com a medicação que a pessoa pensa que só a medicação poderá proporcionar isso, não podendo nem cogitar a ideia de ficar sem ela. Devemos ainda levar em consideração a genética e o histórico de cada um: algumas pessoas, por exemplo, poderão fazer uso esporádico sem se viciar, outras podem tornar-se rapidamente dependentes. Algumas pessoas, a partir do uso indiscriminado desses fármacos podem desenvolver alucinações, complicações cardiovasculares, ataques (surtos), problemas de pele, entre outros problemas causados, muitas vezes, por interações medicamentosas.
Pode, porém, ser benéfico para algumas pessoas, salvo todas as limitações descritas acima, mas, para isso, deve ser acompanhado de psiquiatras, neurologistas e psicólogos, para avaliar os efeitos das medicações assim como se faz com um paciente que tem algum transtorno diagnosticado. Muitas pesquisas são ainda necessárias.

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Luciana Garcia de Lima é psicoterapeuta cognitivo-comportamental (UMC e ITC), com formação em Terapia ABA (Gradual) especialista em Psicopedagogia (PUC-SP), Neuropsicologia e Reabilitação Neuropsicológica (HC-FM-USP) e Avaliação Psicológica (IPOG). Especializanda em Neurologia Clínica e Intensiva (Einstein). Mestre em Semiótica, Tecnologia da Informação e Educação (UBC). Doutoranda em Neurologia Infantil (HC-FM-USP). Atua em grupo de pesquisa em Neuropediatria voltado para TDAH e Autismo (HC-FM-USP) e é autora dos livros “A negação da Infância” e “Autismo: práticas e intervenções.“ (www.clinicassinapses.com.br).

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