segunda-feira, 15 agosto, 2022
Líder! De quem?

Um dos conceitos de gestão mais difíceis de se definir é aquele que resume-se à arte de, em conjunto com uma equipe, “fazer acontecer” – a milenar liderança. Durante mais de 15 anos de carreira na educação, me deparei com diversas situações que me fizeram questionar não só como agir, e mais do que decidir, encontrar diferentes formas de garantir engajamento, motivação e, por fim, a ação daqueles que fazem parte da chamada “equipe”.
Aqui estabelece-se um conceito importante, pois só há líder se existir equipe, e só há equipe se existir um conjunto de pessoas, solidário, que se dedica a um mesmo trabalho, a um mesmo objetivo, a um mesmo fim. Há ainda de se apontar que embora o conceito de liderança perpassa por questões subjetivas, emocionais e sociais, e que seu objeto de trabalho seja o próprio ser humano, ele precisa ser, ao mesmo tempo, consistente, concreto e real, ao passo que, inclusive, é concretizado por meio da atitude, da ação e, por consequência, apurado por meio do resultado. A liderança é um processo complexo que exige capacidade de olhar para o outro e para o todo, mais do que para si mesmo. É a capacidade de aglutinar, de juntar, de somar e multiplicar, mas principalmente de trazer para a ação múltiplos propósitos com intencionalidade, com o objetivo de tornar real e possível um desígnio muito maior.
Há um provérbio chinês que diz: “Você pode levar um cavalo até o rio, mas não pode fazê-lo beber a água.” Reside aí o segredo da liderança – não é somente sobre recursos e ferramentas, sobre os melhores salários, sobre condições de trabalho, sobre prêmios e resultados. É também e, principalmente, sobre ser capaz de tornar os sonhos dos outros os seus também.
Liderança exige ser capaz de proteger. É preciso construir um ambiente seguro e estimulante, no qual as pessoas estejam preparadas para lidar com as incertezas do dia a dia. Respeito faz-se um comportamento essencial. Um líder e sua equipe precisam se reconhecer como parte de um ecossistema em que todos desempenham um papel diferente, mas igualmente importante. Tão considerável quanto o respeito, é fundamental promover a responsabilidade, ou seja, ser capaz de responder pelas próprias ações, sentimentos e comportamentos. É comprometer-se consigo e com os outros na construção de autonomia. Ser responsável e autônomo é ser protagonista das próprias ações, é renovar-se e melhorar continuamente.
Por último, a liderança pressupõe comunicação, que pode ser humildemente traduzida pela capacidade de compartilhar conhecimento, transmitir ideias, compreender o outro e a diversidade. Liderança pressupõe a capacidade de rever paradigmas, de ser pró-ativo, cooperando e criando sinergia para que os objetivos e resultados desejados sejam, antes de tudo, compartilhados.
Um bom líder sabe, ainda, que liderança não pressupõe onipresença nem onipotência, já que liderança desenvolve pessoas, trabalha com potencial e, portanto, um de seus desenredos naturais é (deveria ser) o desenvolvimento daqueles que formam a equipe. Ser líder exige saber a hora de se afastar e aprender que existem novas formas de pensar e agir, e que bons resultados não são atingidos somente à sua forma e modelos. Aqueles que têm o fim em mente são capazes, inclusive, de enxergar vários caminhos que levam na mesma direção. E, ao final, se você não for capaz de liderar a própria existência, você não se torna nenhuma referência.

Richard Debre, professor, educador, empresário, consultor, sonhador.

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