terça-feira, 28 junho, 2022
Feliz ano velho!

Ao mesmo tempo em que escrevia esse artigo pela manhã, refletia sobre qual a mensagem para esse final de ano que se aproxima. Essa oportunidade me trouxe nostalgia, já que ao escrever percebi o quanto vivemos o presente pensando o quanto ele mesmo fará falta um dia! Um sentimento ambíguo, dicotômico e irônico, pois como nós poderíamos hoje sofrer pela falta de algo até então nem vivido?
2020 e 2021 talvez tenham sido assim e em breve estaremos comemorando, celebrando, revivendo momentos que muitas vezes acreditamos que nem aconteceram. Pois é aqui que peço uma reflexão. Vocês viveram! Nós vivemos! A pandemia sem dúvida trouxe muita incerteza, medo, frustração e solidão. Mas o tempo não deixou de passar, as coisas não deixaram de acontecer. Essa velha amiga chamada “expectativa” é um grande problema, pois embora não tenha sido como nós esperávamos, está feito e chegamos até aqui! Deixemos de ser nostálgicos de culpar o invisível, de lamentar o inevitável. Assumamos o controle da vida hoje, agora e sempre.
Ao longo da reflexão, percebi, ainda, que aqui devia parar de elaborar, pois essa ideia de recomeçar, muito cobiçada, já havia sido apresentada. Esse ciclo vicioso podia ser mais virtuoso, e o começo de 2022 fazia-me das histórias contadas, dos momentos vividos e das reflexões apresentadas nesse ano findado.
A bilateralidade do fim às vezes me provoca aversão. Se por um lado ficamos tristes com partidas e despedidas, que nos geram dor e saudade, por outro o término do ano nos traz esperança, ânimo, vontade e o sentimento de renovação. Cortar o tempo em anos, meses e dias evita o sentimento de exaustão. Para mim, vem aí uma grande nova lição. O tempo não parou e nada terminou. 2021 (agora 2022) vem aí como quando viramos a página de um livro, mas a história não recomeça, o livro não termina, e está longe do fim; ela apenas continua. Somos embalados e convencidos, ao som dos fogos, entre beijos e abraços – como será esse ano? – pelo sentimento de renovação.
Das lições aprendidas, tiramos, com certeza, a ansiedade. Nossa capacidade limitada de lidar com frustrações ao descobrir a fragilidade, volatilidade e complexidade da vida humana. Nossa ansiedade ficou disfarçada de empatia e, fingindo levantar bandeiras, defender uns contra os outros, encontrar formas de transformar, estamos na verdade buscando nosso próprio eu. Parece ser sobre os outros, quando na verdade é sobre a gente mesmo. É sobre quem a gente está se tornando.
Mas, vale o alerta! No final do ano não culpem 2021 (2022) e nem a velha pandemia, se tudo for igual! Porque se o tempo foi cortado em pedaços foi simplesmente para nos lembrar que o ano novo só existe se houver ação. Para renovar, para ser e tornar melhor, é preciso também saber quando mudar.
Para encerrar, peço licença ao grande poeta Mário Quintana, que diz… “A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê, já é Natal… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê, passaram 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado… Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Feliz agora!

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Richard Debre, professor, educador, empresário, consultor, sonhador.

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