sexta-feira, 15 outubro, 2021
A atual febre dos fidge toys

Os Fidget Toys são brinquedos sensoriais de diversos tipos e que viraram febre nesses dois últimos anos, principalmente durante a pandemia. São considerados a evolução do plástico bolha, especialmente aqueles pop its (plástico bolha de silicone).
Eles são brinquedos sensoriais e de ação repetitiva, o que faz com que a criança ou o adulto que brinque com eles se distraia da situação estressante atual, tirando-os momentaneamente da agitação em que se encontram. Quando a pessoa aperta ou mexe no brinquedo, seu foco está ali: no toque, no som, na sensação provocada. E é viciante, pois é um estímulo que causa sensações muito agradáveis, de calma. Como funciona no nosso cérebro?
As vias de entrada das informações no cérebro são sensoriais: tato, paladar, olfato, visão, audição. Essas experiências sensoriais provocam reações imediatas. O estímulo externo (fidget toys) ativam, através de uma energia física, os receptores sensoriais. Ativados, eles convertem esse estímulo em estímulo elétrico (potencial de ação) que estimula os neurônios. Esse estímulo, quando chega no SNC (Sistema Nervoso Central) transformam o estímulo elétrico em estímulo químico (neurotransmissores).
Nós temos basicamente dois tipos de neurotransmissores: excitatórios (que aumentam a transmissão da informação) e inibitórios (diminuem a transmissão da informação). Acredita-se que atividades como meditação, mindfulness e possivelmente os fidget toys agem como inibidores do SNC (através da ação do GABA) e contribuem, dessa forma, para a concentração, controle motor e controle da ansiedade.
Especificamente no caso das crianças autistas, que têm o cérebro hiperexcitado, esses brinquedos ajudam na sua modulação. Têm a mesma função das estereotipias, só que com padrões cognitivos diferentes, o que funciona como resposta adaptativa.
Inclusive, no trabalho com pessoas autistas, que se automutilam (arrancam pelinha dos dedos, arrancam cabelos, tiram casquinha de machucados, entre outros), os fidget toys podem ser usados como reforço diferencial alternativo, mantendo suas mãos ocupadas e evitando que se machuquem. Importante, porém, ter sempre a orientação de profissionais especializados ao fazer o uso terapêutico dos brinquedos.

Luciana Garcia de Lima é psicoterapeuta cognitivo-comportamental (UMC e ITC), com formação em Terapia ABA (Gradual) especialista em Psicopedagogia (PUC-SP), Neuropsicologia e Reabilitação Neuropsicológica (HC-FM-USP) e Avaliação Psicológica (IPOG). Especializanda em Neurologia Clínica e Intensiva (Einstein). Mestre em Semiótica, Tecnologia da Informação e Educação (UBC). Doutoranda em Neurologia Infantil (HC-FM-USP). Atua em grupo de pesquisa em Neuropediatria voltado para TDAH e Autismo (HC-FM-USP) e é autora dos livros “A negação da Infância” e “Autismo: práticas e intervenções.“ (www.clinicassinapses.com.br).

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