segunda-feira, 24 junho, 2024
A inteligência artificial e o amanhã

No passado o que era ficção, no presente, tornou-se realidade ou quase realidade a espera de ser concebida no futuro. Na Bíblia, no livro de Daniel 12: 4, lê-se: “Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro, até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará”. Justamente é o que estamos vendo no final dos tempos, o que era impossível tornou-se possível.

   Na série de ficção científica Black Mirror, temos uma sociedade alternativa em que as pessoas têm implantes na cabeça que gravam tudo o que fazem, o que veem e o que ouvem a fim de acessar essas lembranças depois. O fenômeno ChatGPT, Chatbot inteligente da OpenAI, abriu as portas para outras inteligências artificiais no dia a dia. A startup americana Rewind, que utiliza a IA, promete serviço de “memória perfeita” gravando tudo o que você acessa e escuta em seu computador, armazena no software  os dados de todas atividades do usuário de videochamadas a e-mails, e quando questionado por meio de um chat a IA consulta as memórias guardadas e dá os resultados mais relevantes. Diz o CEO da Rewind, Dan Siroker: “A IA serve como uma extensão da sua mente e permite que você seja mais produtivo”. Na produção, tanto o homem como a natureza têm de ser respeitados em seus limites.

    O diretor de ciência aplicada da Microsoft, Brent Hecht, afirma que colocar a tecnologia à frente das pessoas, sem considerar suas consequências para a sociedade, “não é a melhor estratégia”.  Quando a curva do ócio útil de lazer e de prazer do homem é gradualmente encurtada, por ser nivelada e substituída por uma reta mais alongada de trabalho, aumenta a produtividade a fim de cumprir a meta ambiciosa e prioritária do lucro, porém, ele se cansa e passa a ter  ansiedade ou Síndrome de Burnout, resultantes do estresse crônico da sociedade moderna que afetam, também, o sono e dificultam a memorização das informações recebidas no cérebro.

    O homem é uma criatura de Deus e não um robô advindo de tecnologia humana. Hod Lipson, diretor do Laboratório de Máquinas Criativas da Universidade Columbia, tem como área de estudo sistemas autoconscientes, comentando sobre o engenheiro da Google disse que ele se precipitou ao afirmar que o LAMDA, um dos sistemas de IA da empresa, havia se tornado autoconsciente. No entanto, ele completou dizendo: “Isso, porém, não significa que não vamos chegar lá”. Lipson, ainda afirma que em pouco tempo sistemas conscientes serão realidade. Ele quer dizer com isso que essas máquinas irão adquirir vida consciente. Mas como? Se a vida pertence a Deus, o Criador. Elas continuarão sempre sendo programadas pelo ser humano, mas não programadas por si mesmas.

   Temores apocalípticos do tipo “Exterminador do Futuro” não passam de fantasia há décadas. Vladimir Putin, com sua sede de poder, deu também sua opinião: “Quem se tornar o líder na inteligência artificial (IA) dominará o mundo”. Um manifesto assinado por luminares da ciência e tecnologia, pede uma trégua de seis meses nas pesquisas a fim de dar uma pausa no desenvolvimento da IA para, em conferências, discutirem esses tópicos: “Devemos automatizar todos os empregos, incluindo os que nos satisfazem?” “Devemos desenvolver mentes não humanas que podem nos superar em número, cognição, nos tornar obsoletos e nos substituir?” “Devemos arriscar perder o controle da nossa civilização?”

   É preciso alinhar os objetivos da IA para uma meta benéfica em prol da humanidade. Nenhuma solução será definitivamente satisfatória se não for global. Felizmente, há precedentes, como os controles de armas nucleares ou da engenharia genética. Thomas S. Eliot, poeta e dramaturgo, Prêmio Nobel de Literatura: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos na informação?” Os benefícios potenciais da IA são imensos, mas tudo estará perdido se não formos capazes de dominá-la com sabedoria. Salmo 24: 1: “Do Senhor é a terra e tudo que nela existe, o mundo e os seus habitantes”.

Dr. Mauro Jordão é médico ginecologista.

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